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terça-feira, 20 de março de 2012

Com dor

E quando eu pensei que estava tudo bem, que os defeitos colaterais das quimios tinham acabado e que começaria uma nova fase, eis que a vida me mostra que eu estava errada...Ontem aqui em Fortaleza foi feriado, Dia de São José, passamos o dia no clube com os meninos. Eu debaixo da sombra, olhando eles na piscina enquanto lia um livro, tá certo que eu queria estar lá com eles na piscina brincando, mas não dava né? até ai tudo em, estava lendo um livro super interessante chamado: Fortes na Tribulação, é de um padre, mas com um texto bem moderno e com reflexões interessantes. Enfim, o dia foi muito bom.

Porém durante a madrugada comecei a sentir dor nas pernas, não tinha posição para dormir, fiquei virando na cama pra um lado e pra outro, cochilando sem conseguir pegar no soo. De manhã foi difícil pra levantar, eu tinha que arrumar os meninos pra irem pra creche e a Ana Luiza ainda ia ter que tirar sangue. Meu amor não entendeu, reclamou porque eu não levantei rápido, disse que eu tava enrolando. Levantei e fui pro laboratório com a Ana Luiza, chegando lá demorou muito pra atenderem, um dos exames tinha que autorizar, e o laboratório não conseguia e demorou muito o atendimento. É lógico que minha princesinha ficou irritada, ela tava sem comer e sem tomar o remédio dela. Quando finalmente cheguei em casa, eu deitei e não levantei mais.

Minhas pernas estavam doendo muito, principalmente os joelhos, não dava pra dobrar, estava com uma sensação de peso muito grande. O João ficou o tempo todo me cobrando pra eu levantar e fazer um monte de coisa, e eu explicando que não dava, que tava doendo. Na hora do almoço liguei pro meu onco e pedi uma opinião sobre o que tomar pra passar a dor, ele pediu pra eu tomar dorflex de 6 em 6 horas por 2 dias e se não melhorasse ligasse pra ele de novo. Continuei o resto do dia na cama, mexendo no computador porque eu não tinha sono, estava com a minha cabeça a mil, mas meu corpo doía e não conseguia acompanhar meus pensamentos.

Agora a noite os meninos chegaram da creche, a Ana Luiza passou o dia enjoadinha, as professoras dela comentaram que ela não estava bem. Faz parte do quadro da Ana Luiza essas situações, ela detesta que mude a rotina dela, qualquer alteração deixa ela estressada e demora um tempo pra ela voltar ao normal. Com a confusão de tirar sangue, atrapalhou o dia dela. 

Meu amor continuou achando que eu estava deitada a toa, que eu estava com preguiça de fazer as coisas e só queria ficar no computador. Fiquei chateada, é muito ruim você sentir dor, querer fazer as coisas e não conseguir, escutar um filho chorando e não poder atende-lo na hora e ainda acharem que você tá fazendo corpo mole. Eu sei que a situação do João tá difícil, que ele tá sobrecarregado, mas hoje ele me magoou muito. Agora não sei o que doí mais, se é as minhas pernas ou o coração.